
SOBRE MIM
Oi, me chamo Kelly, tudo bem?
Filha da classe trabalhadora – mãe artesã e pai operário, cresci em meio à dualidade entre a importância do trabalho como formador de legados e a apreciação da beleza. Fui nomeada com metade de um nome de princesa, comum entre as meninas nascidas nos anos 80 cujas mães se encantavam com o sonho de princesa materializado na outrora atriz Greice Kelly.
Embora tenha vivido as restrições que meninas da época enfrentavam, com direcionamentos baseados no gênero, meus pais me ensinaram desde cedo que a minha missão era promover pequenas revoluções por meio do meu trabalho.
“Meus pais me ensinaram desde cedo que a minha missão era promover pequenas revoluções por meio do meu trabalho.”
Curiosa por natureza, busquei conhecimentos em estudos de gênero e feministas, participando de cursos como "O Estado e o Corpo: Genealogia de Estudos Feministas e de Gênero", na PUC-SP (2015), e "Masculinidades Contemporâneas" (2019). Essas experiências ampliaram minha visão sobre as questões de gênero e sua interseção com o direito e a sociedade.
Atuei como professora do Curso de Promotoras Legais Populares em Suzano e Mogi das Cruzes, abordando temas como diversidade sexual, cidadania e seguridade social. Além disso, tenho compartilhado meu conhecimento em sala de aula como professora convidada do Curso de Pós-graduação na Academia Ajurídica, abordando temas de contemporaneidade e novas formas de aplicar o direito, especialmente por meio de aulas de Visual Law.
Participei como palestrante na Feira do Livro Nordestino (2016) e debatedora em eventos como Smash The Glass a convite do Consulado do Canadá (2018), o que ampliou ainda mais minha experiência e minha visão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em diferentes contextos sociais e culturais. Minha jornada acadêmica inclui uma pós-graduação em Direito do Trabalho e Previdenciário pela UNIVAP (2009), uma pós-graduação em Direito Homoafetivo e de Gênero pela UNISANTA (2018) e uma pós-graduação em Semiótica pela Faculdade Metropolitana (2023).
Ademais, tenho especializações complementares, como a Certificação Internacional em Legal Design pela Legal Creatives (2021) e a Certificação em Design Thinking pela ESPM (2022), o que ampliou meu repertório de conhecimentos. Também realizei uma formação em Cinema pela Escola São Paulo (2013) e uma Extensão Universitária em Gamificação pela PUC-SP. Participei do curso "Ux Writing no Contexto Jurídico", oferecido pelo Legalhack (2020), e da oficina "Direito e Design", ministrada por Ana Holtz (2021). Concluí o curso "Vira: Como Criar Estratégias à Prova de Futuro", pela Perestroika (2023).
Fundei e presidi a Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Suzano (2012-2018), abrindo um campo de debate sobre o tema localmente.
Atualmente, desafio-me a trazer minhas reflexões em uma newsletter chamada "Não Nasci Ontem", na qual compartilho minhas inquietações sobre como a sociedade e nós mesmas temos lidado com o envelhecimento e seus reflexos culturais para as mulheres.
Desde a infância, assisti a uma versão cuidadosamente editada do mundo pela tela da televisão. Assistia escondida filmes clássicos em horários impróprios para uma criança, explorava o mundo por meio de livros em fartas bibliotecas e descalça pelas ruas da cidade do interior do Paraná, onde cresci, embora seja paulista. Sempre inquieta, trilhei meu repertório por diversas áreas, alimentando-me vorazmente de todo material impresso que me caía nas mãos.
Com essa característica, não foi difícil ouvir de várias pessoas que, estudiosa como era, poderia ter uma carreira no direito. E foi assim que, olhando mais para o entusiasmo de pais e tios que já miravam em mim uma carreira pública do que para os meus anseios, formei-me em 2003 pela Universidade Braz Cubas. No meio do caminho, apaixonei-me pela área, entendendo que ser advogada poderia me conectar com a promoção de microrrevoluções individuais. Acumulo, agora, 20 anos de experiência, guiando centenas de trabalhadores pelo processo de aposentadoria diante dos desafios apresentados pelo INSS. Percebi a importância do meu trabalho ao testemunhar, em minha própria família, a maneira como completar esse processo abre caminho para projetos para aqueles que se dedicaram décadas ao trabalho, proporcionando a base necessária para explorar novos horizontes.
Passei por experiências e estudos que me ajudaram a formar um repertório mais abrangente para a minha atuação profissional e pessoal. Uma dessas experiências foi o blog "Ativismo de Sofá", projeto que toquei com amigas, o qual me levou a falar em lugares inimagináveis, principalmente para a Kelly que só se via como uma advogada que viabiliza aposentadorias. Esse percurso trouxe aprendizagens, e, hoje, sigo buscando conhecimento e formas de atuação em prol da equidade de gênero e da autonomia das mulheres.
Desde a era da internet discada, participei de fóruns de debate, nos quais trocava ideias com mulheres potentes. Isso revelou para mim um aspecto central da minha trajetória e do meu objeto de estudos: o direito previdenciário sob a perspectiva de gênero. Enquanto estudava e palestrava sobre o tema em diferentes ambientes, tanto como atividade paralela à advocacia quanto de militância, uma inquietude cresceu em mim. Foi evidente que as mulheres se aposentam menos, mais tarde e em condições mais precárias, apesar de multiplicarem jornadas e habilidades. A conta, imposta pelo patriarcado, simplesmente não fecha. Embora tenha construído uma carreira sólida como advogada previdenciária, sentia que algo faltava nessa trajetória. Percebi, então, que o sonho de um relacionamento salvador, como nos filmes e livros que tanto me acompanharam, conduz as mulheres a não pensarem em seus próprios projetos futuros, seja no trabalho ou ao reduzir o ritmo. Alia-se a isso a economia de cuidado e as pressões para ocupar seus desejos em ambições estéticas inalcançáveis e vemos o quanto o cenário nos distancia de um processo de envelhecimento saudável e seguro. Estamos todas exaustas! A donzela que envelhece não é salva por nenhum herói romântico cinematográfico. Ela permanece em perigo quando não toma as rédeas de sua própria narrativa.
Estudar formas de trazer ao direito previdenciário um olhar contemporâneo que reforce sua importância para que se pense o futuro no agora, sem juridiquês e com pitadas de reflexões sociais, é meu compromisso. Por meio do meu trabalho, busco expressar, ambicionar e potencializar não apenas as questões jurídicas, mas também os sonhos e as possibilidades das mulheres em todas as fases de suas vidas, porque, afinal, a vida não é um filme, mas podemos escrever nossos próprios roteiros, dentro daquilo que é permitido no cenário de desigualdade de gênero.

ADVOCACIA